quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Caminho da Vida


O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém extraviamo-nos.

A cobiça envenou a alma dos homens...levantou no mundo as muralhas do ódios...e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas sentimo-nos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Os nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; a nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(O último discurso, do filme "O Grande Ditador")

Charles Chaplin

Exausto

Exausto.
Sinto-me assim:
exausto como um vazio parado,
um vento que não sai.


Inútil como uma
pronúncia sem pátria,
percorro as esquinas da vida
- e torno atrás... esquecimento -

Torno atrás em cada esquina
em cada ângulo
até que pare
de me sentir exausto e inútil.

É neste círculo vicioso
que eu peço que me procurem
e, em favor,
me dêem uma órbita.

Teixeira Moita

(Traduzido e publicado Na Antologia "In Our Own Words"- ed. MPW - EUA)

O Poema em que te Busco é a Minha Rede


O poema em que te busco é a minha rede,
Bem mais de borboletas que de peixes,
E é o copo em que te bebo: morro à sede
Mas ainda és Margarida e não me deixes
E muito mais, no enumerar das coisas:
Cordão de laço e corda de violino,
Saliva de verdade nalgum beijo,
E poisas
Como ave de aço em pão se não te vejo.
Mas onde mais real do céu me avisas
É nas tuas camisas,
Calças de cor no catre bem dobradas.
E és os meus pensamentos, se te ausentas,
Meu ciúme escuro como vinho em toalha;
E o branco circular das horas lentas
Que um perfurante amor lembrado espalha.
Põe o penso no velo intercrural
Com um atilho vertical:
Rosa coberta esquiva
Quer a mão do desejo, quer
O conhecido cravo da agressão
Que estendo às tuas formas de mulher,
Com esta soma e verbal percaução
De um fónico doutor de Mompilher.

Vitorino Nemésio

NADA FICA

Nada Fica


Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Fernando Pessoa

Porque eu amo infinitamente o finito,
porque eu desejo impossivelmente o possível,
porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
ou até se não puder ser.
Fernando Pessoa

Satyagraha


Satyagraha (a força do espírito) não depende do número; depende do grau de firmeza.